10.11.2009

meninice

Que me perdoem se eu insisto neste tema
Mas não sei fazer poema ou canção
Que fale de outra coisa que não seja o amor
Se o quadradismo dos meus versos
Vai de encontro aos intelectos que não usam o coração como expressão.
- Toquinho




lembro do meu primeiro amor. eu devia ter uns doze anos. ele morava na rua atrás da rua da minha avó. ele era mais velho - tinha treze anos - e namoramos escondido por um mês. até que o amor de juras eternas acabou. devemos ter nos beijado cinco vezes, no máximo. mas eu tinha certeza que seríamos felizes para todo o sempre. ever. eu como sempre, dotada de muito otimismo. por ser assim, perdi as contas de quantas vezes meu travesseiro foi encharcado por lágrimas. foram tantos laços invisíveis que se desataram e tantos discos furados na mesma música, que eu deveria ter o coração fechado por toda a eternidade. mas não, eu sempre ia aos prantos na lata de lixo, pegava meus cacos, e juntava. tal qual uma criança, que a mãe diz 'não ponha o dedo na tomada de novo que dá choque'. e vocês sabem como são as crianças. sempre me senti um apelo sentimental ambulante. toda cheia de hipérboles. depois que cresci e virei moça esse adjetivo mudou. agora me chamam de filha da puta manipuladora de sentimentos. quem me dera! - eu apenas sei fingir desinteresse quando me é conveniente [pra fazer charme] - continuo a mesma sentimental que usa o amor como desculpa pra tudo. alego sempre insanidade e sempre coloco a culpa no bendito amor. especialmente quando torno público amores que deveriam ser clandestinos. eu tenho a síndrome de Scarlett O'hara. de todas as minhas caracteristicas, essa é a mais evidente - mania de transformar tudo num amor-drama cinematográfico - sem esquecer a minha maluquice e meus rompantes, que são intrísecos à minha pessoa. exigo do meu miocárdio um trabalho escravo árduo. até que tento ser racional, mas daí me perco tentando transformar tudo em poesia, tentando transformar o tédio em melodia. e por ser assim eu fui eleita a personal-amiga-levanta-auto-estima-tabajara. talvez por manter sempre a euforia e as luzes frenéticas no meu olhar. por não ter medo de viver por um triz. por ser aquela-menina-que-sorri-à-toa, apesar dos crimes atrozes que cometeram com meus sentimentos. por ter sempre motivos para sorrir, mesmo tendo se apaixonado torridamente e se enfiado de cabeça em relações fadadas ao fracasso, e que naturalmente, tiveram seu triste fim. apesar de todas as lágrimas derramadas e todos os fins, eu continuo a esperar que a vida sorria pra mim, mesmo que seja num fututo longínquo - eu como sempre, certa de que dias melhores virão. gente, eu poderia estar matando, roubando, me prostituindo, enganando e molestando crianças inocentes. mas não, eu só estou procurando o tamanho certo pro meu pé. dane-se os infortúnios da vida. e sendo bem clichêzona: eu quero mesmo é ser bem-amada. porquê ainda que eu falasse a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria.

...
- eu já nem sei se é meninice ou cafonice o meu amor.


[carência detected]

31 comentários:

  1. por isso sempre digo: vida é constrangendor. amar é humilhante. uma cerveja por favor, e um cinzeiro. amigos em volta, ai é amor.
    oq seria da gente se o amor da quinta série fosse eterno?

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  2. por isso que sempre temos a burrice de procurar! e as vezes a burrice dá certo!

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  3. eu já fiz de tudo pra ser expulso desse grupo, mas não consigo.

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  4. esse post valeu por dois,
    além de me deliciar com suas palavras, ainda conheci o blog do Marcelo (q comentou aí em cima).

    Acho muito legal essa promiscuidade blogueira rsrsrs
    bjs

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  5. como dizia a ciranda:
    se rasguei, se rasguei seu coração é porque tu rasgaste o meu tb...

    bem a letra não é bem assim, mas cabe a licença poética =)

    ah... Bela Luna! E não existe medida quando se trata de emocionar. Vc sabe bem disso.
    bjs e boa noite

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  6. Adorei o post, vc escreve muito bem!

    E para o amor? Ah, ele é complicado demais para quem ainda não ama... somente os apaixonados entendem, já que amor é loucura... não se fruste, um dia vc encontra muito mais daquilo que esperava.

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  7. É...é tudo culpa do tal do amor :(

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  8. Olha... depois que você relata que seu primeiro amor foi o Atreyu da História Sem Fim (fingindo que uma almofadinha de coração era ele), você passa a considerar que um psicólogo seria bom. Mas bom mesmo é amor de verdade, mesmo que seja amor idiota, amor ladrão e amor assassino. É bom morrer de amor... dá vida! Beijo.

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  9. Que intensa ternura,tanto sentimento assim fez meu coração disparar.Sou uma eterna e irremediável romântica,te entendo perfeitamente.
    Tudo lindo por aqui.
    Beeijos flor

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  10. lindo e completinho os seus textos, ha uma ligação gosto muito!


    eu apenas sei fingir desinteresse quando me é conveniente [pra fazer charme]
    é eu tento ser assim, mas no final eu acabo não conseguindo.

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  11. Quem me dera eu, ter como amor o meu primeiro amor até hoje. Pena que ele me surrou pqe minha mae nao nos deixou namorar o.O Finjir desisterresse às vezes dá certo, mais pode ter certeza que quando o cara certo aparecer ele nao vai querer desisterresse, entao tome cuidado. Tenha ou finja desinterresse com aqueles que não querem nada serio com voce.

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  12. Amor jamais é cafonice...

    Não entendi o seu comentário
    lá no doce de lira.
    É você quem não tem boas recordações
    da infância?

    Ainda há tempo! : )
    Um beijo e feliz dia 12!

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  13. Clichê ou não, eu também só quero é ser amada.

    =)

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  14. "Amor jamais é cafonice..."
    COM CERTEZA!
    Bjs lindona!

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  15. eu amei amei amei mil vezes *-*


    "...que eu deveria ter o coração fechado por toda a eternidade. Mas não"
    A gente sempre encontra um saida, por menor que seja, não desistir de viver. É.
    E poderiamos estar matando, robando. Mas não, estamos apenas aprendendo a viver, a amar.

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  16. Cara, vc me entende muito. hahahaha
    Tudo o que você escreveu eu assino embaixo, de verdade. Mas acho que todo mundo no fundo só quer exatamente isso, ser amado, como você mesma disse 'bem amada'.
    Adorei o post ;)
    Beijos

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  17. Amor, se amor, tem um toque de cafonice mesmo, de antiguidade.

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  18. Sim, e que atire a primeira pedra quem nunca cafonou. Eu, pessoalmente, acho que você faz é um bom negócio: cinco beijos ilícitos valem muito mais que litros e litros de lágrimas derramadas no mercado hoje em dia.

    Adorei aqui. Beijos

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  19. Muito perfeito, tirando que a minha cara né? amei cara, exatamente o que eu sinto . :*:* linda

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  20. olá
    o doavessodoavesso vai fazer dois anos dia 19.10 e vc fez parte dessa história...

    volte lá e comemore comigo!
    :P


    beijos e obrigado
    >>

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  21. Clap! Clap! Clap!
    Sensacional... tudo... a escolha da música do Toquinho, a forma de expressar os sentimentos, de encarar o amor, a vida... e sempre com um sorriso no rosto, alegre, com esperança...
    Um primor de texto!
    Total identificação!!!!
    Boa semana linda,
    Beijos

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  22. Eu também já fui assim Ingênuo,mas cansei de fingir,agora eu sou só ruim mesmo...

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  23. Eu já falei que adoro o que você escreve?

    Outro dia deixei escrevi lá no BaLaio, que: "A solidão do amor, é sempre uma solidão acompanhada".

    E de fato o é.

    No fim, a gente só quer ser amada.

    beijo carinhoso, linda.

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  24. Amar é ser cafona!
    Excelente texto!

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  25. tem selinho pra você no meu blog.

    beijocas!

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  26. Que irônico isso... passo aqui pra dar um oi e encontro essa quase ode ao amor. Se não me engano, é completamento o oposto do que pensei lá no meu blogue ;D

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  27. Que seja meninice então. Pelo menos assim será puro.
    Um abraço moça.

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  28. [INVADINDO]

    'eu continuo a esperar que a vida sorria pra mim, mesmo que seja num fututo longínquo '

    Nossa!

    Eu simplesmente AMEI, seu blog. Coisa mais linda!!

    Me identifiquei bastante com essa situação. Nossa... Parabéns.

    Obrigada por me 'fazer' ler isso!

    Abraço

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  29. ah, nem é cafona falar de amor, cafona e esquisito é negar a existência dele.
    bjs

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  30. Eu vivencei meu primeiro amor aos 19, mesmo sentimentos e anseios. Sempre iguais.

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- me concede uma dança?

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