9.18.2009

sinceramente










Descobri você. E todos os dias descubro um pouco um mais do seu mundo e sei mais de você. Ainda não é grande coisa, mas dá pra perceber o quanto você pode ser chato e irônico, e ao mesmo tempo tornar tudo isso enca
ntador. E enquanto isso você desmascara meus "doces" mistérios e descobre o quanto eu posso ser boba e ao mesmo tempo possuir uma nocauteante inteligência e bom humor (hahahaha risadinha maléfica). Mas o bom é descobrir que apesar das nossas necessárias diferenças, nós temos óbvias e necessárias semelhanças. Tá, antes de continuar lendo, desconsidere o fato de estarmos geograficamente distantes, porque isso é apenas um detalhe. Por favor, desconsidere também essas coisas realistas de gente amarga. A verdade é que temos muitas coisas em comum. Especialmente a arte de se auto-elogiar, que é quando eu realmente acho que somos modestamente parecidos. Os mesmos desejos, os mesmos medos. E por isso hoje é pra você que escrevo. Dizem que às vezes o tempo pára um pouco, e se você fechar os olhos, ele te leva pra um lugar onde você pode imaginar todo o seu futuro. Eu fui lá. Imaginei. Várias vezes, vários futuros. Até que um dia parei, e agora prefiro ver um futuro sem foco. Não quero mais digitalizar imagens de um futuro que eu acho que seja o ideal pra mim. Eu continuo otimista, e acredito que existe guardado pra mim e pra você, um futuro com um enquadramento legal, com uma luz natural, e com um foco perfeito. Não pra nós dois juntos, eu quis dizer nós dois separados, cada um no seu quadrado, aahhh, você entendeu. Então, faz como eu, escreve teus desejos no ar e deixa eles pegarem carona com o vento. Quem sabe, eles passam como uma brisa no rosto de alguém, ainda que seja alguém de muito longe. Existem pessoas, que esperam a vida toda, uma brisa assim passar, pra poder escrever também no ar, seus desejos, e vê-los pegar carona com o vento. Quem sabe esse vento sopre em direção a você, e você sinta a mesma brisa com o mesmo cheiro, dos mesmos desejos. Tá, parece cafona e ridiculo esse monte de bla bla bla. Mas eu não nego que espero ansiosa pelos calafrios de mais uma paixão e pelas milhões de borboletas na minha corrente sanguinea. E eu sei que assim como eu, no fundo, você também. E mais um monte de gente que diz que prefere a solidão. Quis dizer isso tudo a você, apenas por uma razão: eu tava afim e pronto. E mesmo você sendo convencido, mas levando em consideração nosso jeito igual-desigual de ser, eu te dedico, e me desato das amarras da arrogância, pra admitir, que gosto de perder meu tempo falando com você, até mesmo quando o assunto é besta e sem conteúdo. E sinceramente, apesar das minhas unhas vermelhas e meu all star sujo, tenho quase certeza que você me adora, e que me acha foda. E tenho certeza que nossas bocas quando se encontrarem, vão parecer molduras-coloridas-de-dois-sorrisos-numa-fotografia-feliz. Porque esta pessoa que vos fala, esta que te descobriu, percebeu apenas hoje a estranha e curiosa sensação de ter encontrado alguém especial: um bom e novo amigo.














 


E pra todo mundo, eu desejo um amor com sabor de doce-de-leite lambido na colher e cheiro de sorriso com pasta-de-dente dizendo bom-dia. Escrevo no ar, e deixo que o vento leve!








9.17.2009

ócio


(...)
Deve de ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
(...)






- ócio ao som de Lovage - Book of the Month.


"You are the trick,i am the sweet"
- você é a travessura, e eu sou o doce -


HOT HOT HOT!







9.13.2009

o amor que choveu



Era uma vez um menino que amava demais. Amava tanto, mas tanto, que o amor nem cabia dentro dele. Saía pelos olhos, brilhando, pela boca, cantando, pelas pernas, tremendo, pelas mãos, suando. (Só pelo umbigo é que não saía: o nó ali é tão bem dado que nunca houve um só que tenha soltado). O menino sabia que o único jeito de resolver a questão era dando o amor à menina que amava. Mas como saber o que ela achava dele? Na classe, tinha mais quinze meninos. Na escola, trezentos. No mundo, vai saber, uns dois bilhões? Como é que ia acontecer de a menina se apaixonar justo por ele, que tinha se apaixonado por ela? O menino tentou trancar o amor numa mala, mas não tinha como: nem sentando em cima o zíper fechava. Resolveu então congelar, mas era tão quente, o amor, que fundiu o freezer, queimou a tomada, derrubou a energia do prédio, do quarteirão e logo o menino saiu andando pela cidade escura -- só ele brilhando nas ruas, deixando pegadas de Star Fix por onde pisava. O que é que eu faço? -- perguntou ao prefeito, ao amigo, ao doutor e a um pessoalzinho que passava a vida sentado em frente ao posto de gasolina. Fala pra ela! -- diziam todos, sem pensar duas vezes, mas ele não tinha coragem. E se ela não o amasse? E se não aceitasse todo o amor que ele tinha pra dar? Ele ia murchar que nem uva passa, explodir como bexiga e chorar até 31 de dezembro de 2978. Tomou então a decisão: iria atirar seu amor ao mar. Um polvo que se agarrasse a ele -- se tem oito braços para os abraços, por que não quatro corações, para as suas paixões? Ele é que não dava conta, era só um menino, com apenas duas mãos e o maior sentimento do mundo. Foi até a beira da praia e, sem pensar duas vezes, jogou. O que o menino não sabia era que seu amor era maior do que o mar. E o amor do menino fez o oceano evaporar. Ele chorou, chorou e chorou, pela morte do mar e de seu grande amor. Até que sentiu uma gota na ponta do nariz. Depois outra, na orelha e mais outra, no dedão do pé. Era o mar, misturado ao amor do menino, que chovia do Saara à Belém, de Meca à Jerusalém. Choveu tanto que acabou molhando a menina que o menino amava. E assim que a água tocou sua língua, ela saiu correndo para a praia, pois já fazia meses que sentia o mesmo gosto, o gosto de um amor tão grande, mas tão grande, que já nem cabia dentro dela. - Antônio Prata









Eu não amo ninguém, e é só amor que eu respiro. Cazuza.



9.08.2009

be happy




"eu fico com a pureza das respostas das crianças: é a vida é bonita e é bonita!"









Estava me relendo e percebi que muito do que escrevo vem sempre carregado de fragilidade e vulnerabilidade. Como se eu vivesse no mundo da lua, esperando algo que não vai acontecer. Não é bem assim. É porque meu dia é pura realidade, e a realidade só serve pra fazer a gente esquecer da simplicidade das coisas gostosas da vida. Não que eu esqueça, eu até acho que aproveito a vida mais do que o que seria suficiente. Mas é que às vezes você se ocupa com tantos problemas que esquece de si mesmo. E só por hoje, e pelos próximos dias que virão, vou tentar esquecer os dramas familiares, as contas que não param de chegar, a falta que um chamego de namorado faz, e a falta de sexo. E lembrar que ser feliz, pra mim, sempre foi um hábito, e que nunca fui de esconder tristeza no olhar. E hoje, abraço uma missão séria na minha vida: deixar os lugares por onde eu passar cheios de cor. E passar pelas vidas das pessoas deixando apenas sorrisos. E quero mandar um recado pra felicidade: Por maior que você seja, você nunca é demais pro meu coração!



9.01.2009

suspirando





- o meu destino é raro, eu não preciso que seja caro, quero o gosto sincero do amor.







 

Ela só queria alguém que encontrasse nela um porto seguro. Alguém que fizesse do ombro dela uma almofada. Ela queria alguém que gostasse do cheiro do cabelo dela. E dos esmaltes coloridos que ela tanto adora. Ela queria alguém que tivesse encanto no olhar. Alguém que esquentasse seu corpo mesmo quando estivesse fazendo mil graus abaixo de zero. Ela queria alguém que a achasse linda no seu jeans surrado, seu all star branco sujo, de camiseta e rabo-de-cavalo. Alguém que encontrasse as suas mãos de um jeito doce e gentil. E que mandasse mensagens e flores sem medo de ser cafona. Alguém que a beijasse loucamente. Que a mordesse, e que a jogasse na cama, rasgando sua roupa. Alguém que fizesse amor como na guerra. E depois a beijasse com a ternura de quem ama. Alguém que fosse metade Drummond de Andrade e metade Nelson Rodrigues. Alguém que gostasse de Portishead. Ela só queria alguém pros dias frios, e pros dias de domingo. Alguém pro cinema e pra pipoca. Alguém pra dividir o espaço no banheiro pequeno. Ela só queria caber nos braços de alguém e alguem que coubesse no seu abraço.




...e a menina, que só queria dançar a vida, pensava nisso tudo, suspirando.

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