9.13.2009

o amor que choveu



Era uma vez um menino que amava demais. Amava tanto, mas tanto, que o amor nem cabia dentro dele. Saía pelos olhos, brilhando, pela boca, cantando, pelas pernas, tremendo, pelas mãos, suando. (Só pelo umbigo é que não saía: o nó ali é tão bem dado que nunca houve um só que tenha soltado). O menino sabia que o único jeito de resolver a questão era dando o amor à menina que amava. Mas como saber o que ela achava dele? Na classe, tinha mais quinze meninos. Na escola, trezentos. No mundo, vai saber, uns dois bilhões? Como é que ia acontecer de a menina se apaixonar justo por ele, que tinha se apaixonado por ela? O menino tentou trancar o amor numa mala, mas não tinha como: nem sentando em cima o zíper fechava. Resolveu então congelar, mas era tão quente, o amor, que fundiu o freezer, queimou a tomada, derrubou a energia do prédio, do quarteirão e logo o menino saiu andando pela cidade escura -- só ele brilhando nas ruas, deixando pegadas de Star Fix por onde pisava. O que é que eu faço? -- perguntou ao prefeito, ao amigo, ao doutor e a um pessoalzinho que passava a vida sentado em frente ao posto de gasolina. Fala pra ela! -- diziam todos, sem pensar duas vezes, mas ele não tinha coragem. E se ela não o amasse? E se não aceitasse todo o amor que ele tinha pra dar? Ele ia murchar que nem uva passa, explodir como bexiga e chorar até 31 de dezembro de 2978. Tomou então a decisão: iria atirar seu amor ao mar. Um polvo que se agarrasse a ele -- se tem oito braços para os abraços, por que não quatro corações, para as suas paixões? Ele é que não dava conta, era só um menino, com apenas duas mãos e o maior sentimento do mundo. Foi até a beira da praia e, sem pensar duas vezes, jogou. O que o menino não sabia era que seu amor era maior do que o mar. E o amor do menino fez o oceano evaporar. Ele chorou, chorou e chorou, pela morte do mar e de seu grande amor. Até que sentiu uma gota na ponta do nariz. Depois outra, na orelha e mais outra, no dedão do pé. Era o mar, misturado ao amor do menino, que chovia do Saara à Belém, de Meca à Jerusalém. Choveu tanto que acabou molhando a menina que o menino amava. E assim que a água tocou sua língua, ela saiu correndo para a praia, pois já fazia meses que sentia o mesmo gosto, o gosto de um amor tão grande, mas tão grande, que já nem cabia dentro dela. - Antônio Prata









Eu não amo ninguém, e é só amor que eu respiro. Cazuza.



12 comentários:

  1. Muito bonito ! é muito bom quando somos correspondidos e é bom passar por aqui outra vez também . Um abraço !

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  2. Lindo demais Oo Muito bem feito e com uma nostalgia unica *-* amei de verdade

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  3. Muito lindo Luna, me identifiquei muito com o texto..!

    Beijoooos e boa semana

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  4. Que bonitinho!!

    Nossa, fofo esse texto. E tantos já pensaram em atirar o amor no mar, sem saber que do outro lado havia correspondência.

    Beijo!

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  5. Se meus olhos, que são meus olhos já choveram... Também meu coração pode o fazer.

    Beijos.

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  6. Caramba! Eu já estava calçando meu super hiper mega tênis Mizuno HT5477@queima asfalto Usain Bolt Edition para correr em sua direção e te dar um abraço pelo texto divinal quando vi o crédito a A. Prata. Bem, vou dar o abraço pela escolha. Mandou bem.

    Quanto ao A. Prata, vou descalço mesmo apertar a mão dele lá em seu blog. :-)

    Ninguém se apaixona por escolha,
    Mas sim por acaso.
    Ninguém se mantém apaixonado por acaso,
    Mas sim por esforço.
    E ninguém perde a paixão por acaso,
    Mas sim por escolha.

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  7. Lindo o textop! A grandiosidade do amor! Mt bom msm!

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  8. As vezes a gente tem medo do que pode ouvir de um amor. Na maioria das vezes, achamos até que amamos mais. Eu sou insegura, assim como o menino. E quando falo não sei muito o que falar e só falo besteiras. Hahaha
    Adorei seu blog ;)

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  9. Maravilhoso!
    Não conhecia... foi uma ótima escolha!
    Me identifiquei muito...
    Adoro vir te ler!
    Beijos

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  10. Menina, maravilhoso, perfeito o texto.
    De uma sensibilidade incrível, que me emocionou.

    Bjos querida
    :)

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  11. que texto maravilhoso. emocionante...
    hoje em dia é tão dificil encontrar um amor grande assim.
    bjs linda :*

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- me concede uma dança?

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