12.20.2009

essas coisas de fim de ano

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música para começar o ano de 2010.


jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés, não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos, não me peguem, não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal
Armas de fogo, meu corpo não alcançarão
Facas, lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é de Capadócia, viva Jorge!
Jorge é de Capadócia, salve Jorge!
Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor
Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor


Jorge Ben
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essa música eu dedido a todos vocês, que com sua ausente presença fizeram parte da minha vida durante meses, e que de alguma forma se fizeram importantes e essenciais. dedico especialmente aos que chegaram mais longe, e se tornaram amigos incríveis, que , ignorando a distância, fizeram parte da minha  louca rotina. dedico essa música aos que deixam aqui carinho, doçura, paixão, e todo sentimento sincero. eu poderia ser clichê, como sempre o sou, e desejar todos os bla bla blas de fim de ano  pra vocês, mas prefiro desejar apenas o que desejo pra mim: força, fé, e tolerância.  especialmente a tolerância, porque é uma qualidade que eu não tenho. e obviamente, sem esquecer o lado monetário, eu desejo aumentos de salário, promoções e emprego pra quem tá procurando, resumindo: money, very money. no mais - além de tudo isso - espero que o novo ano seja também, pelo menos, um ano com mais risos e abraços constantes, somente. PRA TODOS NÓS! 



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feliz dingobells pra todo mundo!


12.14.2009

um brinde

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levante-se e vamos propor um brinde pelo que mais machuca você. 
Last cup of sorrow.faith no more.







foram tantos sonhos apagados e indefinidos e tantos amores vãos e superficiais. foram tantos projetos incertos e frustrados, tantas amizades duvidosamente verdadeiras que acabaram e tantas brigas cheias de arrogância, que aproveito o ano chegando ao fim, para tomar a última taça de mágoa, e brindar ao clichê: o mundo dá muitas voltas. não é?

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12.11.2009

desce mais um

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hoje é meu dia no desce mais um. pra me ler, clique aqui.

(:
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12.09.2009

a moça

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ela era feita de amor, e de outros detalhes, e só.
 


*pessoas queridas, fim de ano todo mundo sabe o quão corrido é. sei que estou devendo visitas, e se alguém notou, só quero justificar que minha ausência é temporária.  (=    BEIJOS IMENSOS.


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12.05.2009

p.a.u.s.a.d.a.m.e.n.t.e


na vitrola: belle & sebastian.

You’ve come to save my life again. - Belle & Sebastian.








tic.tac. mergulho. de. cabeça. na. vertigem. do. teu. amor. fajuto. acanalhado. depravado. abandonando. por. mim. meu. coração. arranhado. desamparado. embonecado. suavizado. é. teu. de. novo. me. acalenta. me. embala. me. sossega. me. afaga. me. deseja. me. vira. do. avesso. me. amarra. com. laço. de. fita. vermelha. e. me. beija. de.va.gar. como. num. filme. em. câmera. lenta. love. of. my. life. ouvindo. o. som. da. canção. bem. longe. you. are. just. so. good. to. be. true. nosso. corpo. junto. mão. lingua. coxa. umbigo. boca. riso. beijo. saliva. desejo. barriga. seio.gemido. pele. derme. epiderme. sexo. cheiro. inferno. céu. eu. você. quase. sem. oxigênio. juntos. sem. medo. de. nada.  now. today. here. there. and. everywhere. sempre.  pau.sa.da.men.te. que. é. pra. eu. ter. mais.tempo. de. te. amar.


I.am. livin. out. the. life. of. a. poet.
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12.04.2009

desce mais um




come on baby, light my fire.





fui gentilmente convidada para escrever no blog desce mais um, onde sete pseudoescritores, vão, uma vez por semana, despejar lá seus textos malucos. e toda semana, vocês, caros leitores, podem escolher o tema do qual, nós, deveremos montar nossas histórias através de uma enquete com temas propostos por cada um de nós. um desafio? talvez, mas estamos dispostos a tudo, então, sintam-se à vontade e peçam o que quiserem.

lá quem manda, são vocês.

às sextas sempre estarei por lá, despejando minha mulhezice ácida. enjoy!
clique aqui pra me ler: http://descemaisum.blogspot.com/.
hoje foi minha estréia, comentem, critiquem, divirtam-se.
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12.02.2009

puxando o gatilho

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Cortez e Alvarez são duas pistoleiras fora-da-lei. Cortez ao ver a primeira vez Johnny Cash - até então amante contratual de Alvarez - desejou ardentemente trepar com ele, porém numa noite entre tiroteios e perseguições, Alvarez salva Cortez das garras do xerife, e desde então se tornaram arquiamigas. Cortez sucumbia as noites de luxúria com seu amante apache, mas foi Billy the Kid - apesar de ser feio e torto, e não ter nada de tesudo - que ganhou seu coração bandido. Alvarez e Cortez, inventaram a marguerita e de vez em quando se embebedam jogando poker com pobres cowboys inocentes.

elas puxam o gatilho aqui: http://www.billyecash.blogspot.com/
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11.29.2009

fallen angel


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Where do fallen angels go?
I just don't know







o anjo cheio de tédio, a viu lá de cima, a seguiu com os olhos o dia inteiro, e de tanto olhar, escorregou na nuvem, levou um tombo, machucou a asa, e ainda amassou o arco íris. apaixonou-se. passou o dia encantado, a observando lá de cima, balançando os pés nas nuvens. passado o dia, chegou a hora de puxar a noite, mas ele puxou com tanta força, que cairam algumas estrelas, ele colocou umas no lugar, e mastigou outras, embora soubesse que não podia, afinal estrela causa embriaguez nos anjos, e anjo embriagado causa estragos. é que eles ficam travessos, lambem as flechas e as acertam nos corações tolos. anjos bêbados choram, e quando o fazem, chove. nessa noite choveu, e o anjo adormeceu na nuvem, manchando-a de paixão. no outro dia, o anjo de asa machucada acordou de ressaca, e lamentou ser anjo, quebrou a harpa, e o céu passou o dia escuro. anjos tinham livre-arbitrio, podiam cair quando quisessem, mas ele, o anjo desbocado, gostava demais de ser anjo, de dar cambalhotas no céu, tingindo o dia de amarelo e azul. gostava de puxar a noite a organizar as estrelas, pra iluminar a noite dos amantes. anjos são voyeurs. eles gostam de espiar o resultado de suas flechadas. mas o anjo apaixonado só pensava agora na moça, então, sentou na nuvem, e balançou as pernas, pensando em fazer amor com ela - anjos fazem sexo - sexo com anjo é bom, quando eles gozam entra um brisa gostosa pela janela, e você sente um gosto de jujuba vermelha no boca, o problema é que no depois, eles vão embora sem se despedir, porque não podem passar muito tempo de asas escondidas, logo elas aparecem, e como vão explicar? melhor não arriscar. então eles voltam lá pra cima, preparam um dose de chuva forte pura, com duas estrelas, mechem com o dedo indicador, tomam num gole só, e acendem um cigarro, afinal, vida de anjo é assim. talvez dessa vez, não fosse só sexo, pois ele se sentia angustiado quando pensava em descer do céu, fazer amor, e depois ter que ir embora e deixá-la lá sozinha. ele só pensava em cair, em abandonar a vida de anjo. ele chorou a noite inteira, e formou-se um cúmulo-nimbus que escureceu o dia, foi quando ele decidiu - e caiu. ele, o anjo desbocado e caído, agora era observado pelos outros anjos, e apesar da dor, de não ser mais o ser, ele sorria com um sorriso de canto de boca, lembrando de suas asas, e do cheiro das nuvens, que ele havia trocado pelo cheiro de hortelã e de lençol sujo de amor.

11.26.2009

jogos de amor

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Eu sei, jogos de amor são pra se jogar
Ah por favor não vem me explicar
O que eu já sei, e o que eu não sei





eles pisaram inúmeras vezes no mesmo caminho, foram e voltaram mil vezes, nunca aprenderam a acertar, e continuam errando demais. eles combinam em tudo, mas não conseguem sentir segurança. nem ele nela, nem ela nele. eles 'se escapam' entre os dedos, e sabem. ele já se atirou tantas vezes de uma ponte nesse amor, que já nem sabe mais se consegue se salvar se pular de novo. talvez tantos erros bastem pra separar os dois, mas eles vivem tentando concertar as coisas, dizendo que vão ficar, e acabam sempre pulando o muro. são inconstantes e imprevisíveis. numa noite eles sorriem, fazem amor no chão da cozinha e prometem se amar ever and ever, noutra noite ela joga os pratos sujos nele, ele desvia, e os pratos se quebram na parede, enchendo de cacos, a mesma cozinha que noutra noite foi só amor. estão sempre entre sorrisos e chuvas torrenciais de lágrimas. e é sempre assim, eles não sabem ser normais. oferecem garantias, e fazem promessas todo dia, e só cumprem mesmo o amor, esquecendo o resto num acesso de ciúme qualquer. plantam um jardim, e pisam nele quando ele floresce. mas não há no mundo nada que eles queiram mais do que ficar juntos, afinal, eles só sabem ser um do outro, mas pra isso funcionar eles tem que esquecer tudo que dizem por aí sobre o amor, porque sabem que com eles tudo é diferente - sem regras, e com muitas exceções - mas será que vale a pena? será que esse crime compensa? 
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Carve your name into my arm - Entalho seu nome no meu braço/ Instead of stressed, I lie here charmed  - Ao invés de estressado, eu fico aqui encantado /Cuz there's nothing else to do - Porque não há mais nada a fazer.
Placebo.
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11.22.2009

no fim do corredor

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era uma vez uma garota que não tinha família. era filha única de pais mortos - eles morreram num acidente de carro quando ela ainda tinha dezoito anos, deixando-a sozinha, mas com uma boa herança - era mesmo abastada, no entanto não tinha apego a coisas materiais. morava no vigésimo sétimo andar, no fim do corredor. era uma pobre garota rica com uma beleza de 27 primaveras. seu corpo era mignon e sua pele era clara. seus olhos eram redondos como um botão, e seus cílios longos e escuros, o que tornava seu olhar expressivo, embora ela tentasse esconder com um óculos de grau. seus lábios eram acarminados, e seus dentes eram perfeitamente alinhados, porém era dona de um sorriso extremamente contido. sempre baixava os olhos ao sorrir, e era de uma mudez incompreensível. ela tinha amigos, no entanto ela preferia mesmo estar sozinha com suas leituras e seu blues. ela amava o blues, e todos os dias o ouvia, tomando um café amargo e forte. nunca aderiu a modernidade, e  gostava de ouvir música no toca discos. sentia-se cada vez mais distante do mundo e acreditava pertencer a outra época. ela carregava no olhar uma indefinível melancolia, e por isso alguns a julgavam apática e indiferente. ela não esperava que os outros a achassem extraordinária, e tampouco esperava que algo inefável lhe acontecesse, contudo isso não lhe compungia o coração. ela não fantasiava beijos efusivos e não guardava no seu íntimo desejos ávidos. teve alguns namorados, mas nunca amou de verdade. seu único e verdadeiro sonho era ter sensualidade à flor da voz, para que ela pudesse cantar e comover tal qual Nina Simone. infelizmente sua voz era doce e baixa, e seu sonho jamais se realizaria. nas vezes em que ela se permitiu sair do seu mundo, ela sucumbiu ao álcool e ao cigarro com seus poucos amigos, que o tempo todo lhe chamavam a atenção, pois enquanto eles tagarelavam e gargalhavam com tolices, ela permanecia absorta. ela sorria pouco, e quando o fazia, era breve, escondendo sempre seu doce sorriso. numa tarde - dessas  com um cenário lindamente clichê - ela colocou Robert Johnson pra tocar - me and the devil blues - acendeu um cigarro, tomou devagar uma taça de vinho, cerrou os olhos, e dançou com a alma. abriu a janela, respirou fundo, e sorriu. então subiu no parapeito, olhou pro céu, e gargalhou debochada, como nunca havia feito antes. com os olhos fechados, abriu os braços, sentiu o blues, e se jogou. a garota do fim do corredor morreu de forma poética e assustadora, deixando todos estarrecidos. não deixou bilhete. deixou apenas um blues tocando, um cigarro pela metade, e uma taça de vinho seco com marca de batom vermelho no criado mudo.

alguns vizinhos a chamavam de 'a garota sem alma', o que ninguém sabia, é que  ela era apenas alma, e sua alma, era puro blues.
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11.20.2009

cá estou eu

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oi everybody todomundo. i'm back. mas sabe aquele fio de inspiração? então, perdi a ponta. a perdi na falta de emoção e nas confusões do dia-a-dia. a perdi junto com meus álbuns amados do Led e do Dylan. ela se foi junto com algumas de minhas fotografias tão lindas e tão nostálgicas. espero ela voltar - a inspiração - que estava aqui, mas o gato comeu. hunfp! ao menos sei que meu aguardo não é embalde. ela sempre volta. não volta? enquanto isso meus dias se espreguiçam com lentidão, e só ouço esse tétrico silêncio na minha alma que só me ensurdece. enfim, e como vão-se os cigarros, e ficam-se os dedos[com o perdão do trocadilho infame] o jeito é esperar essa nuvem que me tira a inspiração passar. e não pensem que estou triste ou algo do gênero, não é isso, por incrível que pareça, até ando com um sorriso besta nonsense estampado na cara, só não me perguntem o porquê. nem parece que metade das minhas músicas foram destruídas por uma maldito vírus high tech. antigamente  diziam que felicidade sem motivo específico era 'adivinhando taca', então penso eu: 'será o universo querendo me pregar alguma peça?' sorte a minha fosse uma inefável surpresa. mas eu disse sorte, e sinceramente, não ando contando muito com ela. e nem com a inspiração, pelo jeito.

11.18.2009

smile and make me smile

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don't worry about a thing,
'cause every little thing
gonna be all right





fiquei imensamente feliz, com um sorriso feliz-feliz-feliz quase rasgando meu rosto, por perceber o carinho de todo mundo, compartilhado assim, de graça. então deixo  o meu carinho pra todos aqui nesse post. estou ainda sem computador [tô aqui alugando 10 minutos do computador do vizinho]. o  lado bom é que quando o meu voltar vou ter mil coisas pra ler, e vou de blog em blog ler até ficar vesga. beijo-beijo.
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11.15.2009

drama II

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gente, valeu pela solidarieadade, anotei alguns conselhos, e atormentei o técnico, na vã esperança de que ele consiga mesmo salvar minhas doces memórias. anotei o conselho do fahad, e com toda aquela pose de séria, falei pro técnico como se entendesse do assunto, hahahaha, hilário. o técnico falou uma língua desconhecida por mim, mas que me deu muitas esperanças. e pensando no comentário do mayer, fiquei menos triste porque tenho alguns cd's e discos das bandas que citei no post anterior, mas quando se tem mais de 30 discografias no computador, fica dificil ter tudo em discos ou cd's né? todos os dias dizia pra mim mesma 'vou gravar tudo num dvd', mas é aquela velha história 'porque deixar pra amanhã se posso fazer depois de amanhã?' né? aí veio o vírus e fuck meu computador. caí numa armadilha do satã! quando liguei o computador e fui tentar abrir uma pasta eis que surgiu uma imagem estranha e começoua abrir loucamente várias janelas. imaginem meu susto, quase caio da cadeira. quando gritei meu irmão e ele viu, ele só me deu a triste notícia de que eu já poderia começar meu luto, pois provavelmente eu perderia quase tudo. bom gente, agradeço a solidariedade e os conselhos de todo mundo viu? vou ficar meio ausente, sem computador, e sem escrever uns dias por aqui, o que me entristece bastante. e pra quem vem acompanhando, não me abandonem [choramingando] tá?

um beijo imenso em todos.





                                                         chuinf chuinf, snifs...





11.14.2009

drama

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gente, o que fazer quando teu computador é atacado por um vírus do futuro e você tem que formatar e perde quase tudo? bom, como quebrar o computador não adianta mesmo, só me resta chorar três dias e três noites, por ter perdido a minha discografia do Bob Dylan, do Led Zeppelin, do Metallica, dos Beatles, da Madonna, do Faith no More, do Aerosmisth, do Radiohead, entre outras várias, que eu nem quero lembrar, senão serão cinco dias e cinco noites chorando sem parar. buáááááá! dra-ma, tá, discografias a gente dá um jeito, mas perder fotos de viagens nos últimos anos? não costumo desabafar assim aqui, afinal meus problemas pessoais são meus, e ninguém quer ler sobre meu drama. buáááááá. muitos snifs, gente, muitos snifs. meu computador não será mais o mesmo quando voltar. sorry pelo meu drama master, mas só quem já perdeu coisas importantes formatando a porra do o computador vai entender o que é perder lembranças impressas em cada fotografia, isso sem falar nos arquivos de trabalho, ensaios fotográficos, e todas as pesquisas acumuladas em anos de faculdade. snifs, muitos snifs. =~~ e drama, muito drama. 



beijo-beijo. 
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11.10.2009

encontros e desencontros IV

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pouco antes do sol se pôr, a garota de sorriso largo decidiu ir de encontro ao incerto. preocupou-se com a roupa que estava vestida, se estava bonita, se ele ainda a acharia encantadora, ensaiou frases pra falar quando o encontrasse, e sorria pensando em tantas bobagens. ela não conseguia coordenar tantos pensamentos ansiosos, e caminhava com passos incertos e titubeantes, porém, com toda sua graça extremamente feminina. batia-lhe na cara um vento algente, eram ventos de inverno próximo, seu corpo estremecia involuntariamente, e ela não sabia se era frio ou nervosismo pelo reencontro. seu coração pulsava desreguladamente, ora rápido, ora calmo. cigarros ela fumou aos montes no caminho até o apartamento de dylan. enfim chegou. ficou alguns minutos parada na frente. sentiu um nó na garganta, era a primeira vez que lhe dava um frio gélido no estômago. dava pra ver a varanda onde fizeram amor a primeira vez, e lembrando ela se ressentiu por ter fugido dele, achando que manteria guardada uma gostosa saudade, e no entanto, de nada adiantou sua teimosia em tentar transformar essa paixão em um romance shakesperiano. pensou em quanto tempo perdeu, apenas por querer viver uma estúpida fantasia. repensou suas falas pra não esquecer nenhum pronome e nenhuma virgula quando o encontrasse. já havia chegado até ali, não podia, e nem deveria cometer o desvario de ir embora, então entrou no prédio e subiu as escadas devagar, pois mal cadenciava suas pernas, de tanto nervosismo. parou a dois metros da porta do apartamento, acendeu um cigarro, e pensou '- o que direi primeiro meu deus?', pois já havia esquecido tudo que ensaiou. caminhou lentamente até a porta. toc toc. nada. toc toc. nada. ela esperou, esperou, esperou, e ele não veio atender, provavelmente não estava. ela falou sozinha 'eu sabia que isso não ia dar certo, francamente universo!'. seu coração foi tomado por um triste desasossego, pensou em desistir, ir embora e não voltar nunca mais, ainda era uma garota teimosa, na sua cabeça as coisas giravam numa rotação diferente, ela pensava que se ele não estava era um sinal de que não era pra ser. entretanto, pensanva também o contrário, oras, o reencontro especial deixou de sê-lo somente porque ele não estava? que maluquice pensar assim! mas enfim, ela sentou-se no corredor, ao lado da porta, afinal, o coração tinha uma parcela de poder sobre ela, e ali ela ficou, esperando o universo conspirar em seu favor. o tempo passou, passou, minutos, horas, e já era tarde, todavia ela pensava '-já esperei isso tudo, fico aqui até amanhecer se for preciso, hunf!'  mas coitada,  esperou tanto que acabou cochilando ali mesmo. 

enquanto isso, dylan caminhava com passos pesados, cansado, trabalhara até tarde, e voltava pra casa pensando que em sua geladeira não havia nada pra comer, e isso o deixava aborrecido, pois o fazia ter certeza de que sua vida estava largada. o vento frio gelando seus ossos o fez apressar os passos, entrou no prédio e subiu as escadas saltando degraus,  e quando chegou no seu andar, ao entrar no corredor, mal acreditou no que viu: a sua garota sentada na sua porta. um sentimento incompreensível tomou conta dele...sentiu um gosto de lágrima que não vem aos olhos, dessas que ficam no coração. sentiu-se um ébrio diante do seu vício. ele se perguntava se era ela mesmo ali, com a mesma beleza amena e doce. se aproximou e sentou-se ao lado dela. ela cochilava sentada, e ele tocou suas maçãs com os dedos, fazendo com que ela acordasse com as mãos frias em seu rosto. ela se assustou, mas logo viu que ela ele, e todo o nervosismo que ela achou que fosse sentir, caiu num abismo junto com a saudade pungente. e como era de se esperar, num arroubo eles se  encaixaram num abraço cálido, e passaram alguns segundos assim, um sentindo o cheiro do outro, então logo desataram-se do imenso abraço e se olharam, ela sentiu-se boba por estar ali, e baixou os olhos, ele levantou-lhe o queixo e disse 'minha garota perdida', ela sorriu formando covinhas na buchecha, suas maçãs tingiram-se de carmim, fazendo-o ter certeza de que ela era mesmo seu amor. ela tentou dizer em frases entrecortadas com lágrimas a razão de ter feito o que fez, mas ele parecia não ouvir, e enquanto ela se atropelava em palavras, o coração de dylan se preenchia de novo, até que ele sorriu e disse de um jeito risonho 'dá pra você calar a boca?'. ela calou e sorriu. os lábios de ambos agitaram-se convulsos, e com  um carinho extremo e uma delicadeza involutária, beijaram-se com o sossego que só os que amam de verdade conhecem, e compreenderam enfim, a grandeza do seu amor.

depois de um longo beijo, levantaram-se e prometeram não contar os dias de ausência, pois o amor que lhes rebentava o peito, havia sido substituido por uma suprema felicidade. 

(...)


[continua...]
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11.07.2009

encontros e desencontros III



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ele

passaram-se apenas alguns dias desde que ele havia deixado o bilhete no café. ele já não era mais o mesmo moço de sorriso mudo e olhar triste e perdido.  naquele mesmo dia ele desatou o nó, se libertou do drama, e seguiu em frente. ele pensou consigo, que mesmo que nunca mais a visse, não andaria mais por aí com cara de maior abandonando infeliz. o seu desapontamento deixou de cair como lágrimas, e já começou a achar que a melancolia não assentava mais em seu rosto. então, se estampou de coragem e deu passos largos adiante. o sorriso surgiu de novo emoldurando novas esperanças. ele já sabia olhar além dos muros. mudou a estação, e ele mudou. já era hora.

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ela

ela passou dias procurando a chave que perdeu sem saber onde. procurou na gaveta da escrivaninha, debaixo do sofá, na gaveta de calcinhas, e nada. ela era muito distraída, às vezes a levava na bolsa pra onde ia, sem motivo algum -- de súbito ela lembrou-se do café, talvez a chave pudesse estar lá, e então pensou na possibilidade de encontrar novamente seu moço dylan, que há muito não o via, mas que nunca havia deixado de pensar nele um segundo sequer. ela ainda tinha medo da mesmice dos relacionamentos, então o guardava como sua melhor saudade. ela não sofria, sua vida seguia, só que lhe faltava um pedaço. era ele. mas ela era uma tola sonhadora, e acreditava nos romances de cinema, desses ela não tinha medo. e porque não haveria de ser assim com ela? era como imaginava seu reencontro  com ele - ao acaso - levando consigo o clichê 'o que tiver de ser será'. seus olhos de menina refletiam sonhos, e ela não sabia ser diferente. inúmeras vezes elas desejou ir vê-lo, mas sempre deixava por conta do destino, pois só assim ela teria seu amor de filme. algumas vezes ela andou pelas mesmas ruas, imaginando que o universo pudesse conspirar ao seu favor, e de repente resolvesse fazer acontecer um reencontro insólito. de um jeito esperto, ela tentava dar um empurrãozinho no destino, porque ela sabia que ele não faria o trabalho sozinho. infelizmente nunca teve sorte.  era a chave do seu baú de fotografias e desenhos, onde ela guardava seus melhores momentos com suas melhores pessoas. suas esperanças e seus desejos frívolos. e também seus medos e seus sorrisos gratos. tudo ela guardava lá, e quando ela queria colorir seu dia, ela o abria e olhava retrato por retrato revivendo todos os zoom's de felicidade que ela teve em sua vida


porém, nesse dia, ela sentiu uma sensação diferente, e seguindo seus sentidos, ela voltou ao café. 


mal pôs os pés no lugar, a garçonete de vida vazia a viu de longe, e esboçou um sorriso, como se pensasse 'estou fazendo parte de uma história, seja lá qual for', então logo se aproximou dizendo que ela havia esquecido uma chave, e que também tinha outra coisa pra entregar-lhe. ela mal podia esperar. quando a moça entregou o tal bilhete, ela sentou-se, pediu-lhe um café, e sem maiores pretenções foi desdobrando o papel, e nas primeiras palavras ela arregalou os olhos, seu coração palpitou freneticamente, ela não sentiu as pernas, suas mãos tremeram, a data era de dia uns cinco dias atrás, o bilhete  ainda tinha cheiro de novo, e ela não conseguia passar da terceira linha de tanto nervoso. 

 'a verdade é que não sei mais de mim sem ti. é que tudo de ti ficou em mim.'

como assim? por mais esperançosa que fosse, ela não imaginava que dylan pudesse amá-la assim, dessa forma, nessa magnitude. ela às vezes lá com seus botões, imaginava que ele talvez pensasse nela, mas amar? amar era muito, era demais! até pra ela, que acredita que o amor cabe num beijo. ela leu e releu, e a cada palavra  lida suas dúvidas caíam no chão junto com a poeira. ela esboçou tímidos sorrisos, franzindo levemente o canto dos seus olhos, enquanto as lágrimas escorriam nas suas maçãs ruborizadas. ela leu uma, duas, três, quatro vezes, e tomou dois cafés expressos, pensando no que faria depois de ler tão intensa e sincera declaração de amor. pensou em correr pra encontrá-lo como uma louca desmiolada, pensou em esperar até que ele aparecesse, pensou em quase tudo. ou tudo mesmo. um sorriso nasceu na sua boca e cresceu no seu olhar. 'é esse meu amor de cinema' ela não parava de pensar. assustadamente, sentiu o mistério da vida topar com ela de novo. ela aceitou seu destino. sabia que dessa vez não era blefe. e rumo a sei lá o quê, foi ao encontro do moço. medo das armadilhas de um amor cotidiano? não existia mais. 



havia chegado a hora de explodir em estrelas, pra recomeçar brilhando.


[continua...]

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11.06.2009

kill love

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será que pela lógica do universo, eu tenho a obrigação de ser feliz o tempo todo? mesmo quando tudo desaba e a sensação é de um piano caindo na minha cabeça? mesmo quando meu corpo ansioso clama por outro corpo e só sinto solidão e uma saudade pungente? será que preciso sorrir em slow motion como se estivesse num comercial de margarina  mesmo quando meu dia é tão horrível que nem parece ser meu? será que eu preciso mesmo tentar sorrir sempre? foda-se! eu jamais vou me submeter a essa lógica absurda! lutarei sempre pelo meu direito de surtar quando me for necessário! e quando for preciso, libertarei meu rambo interior e salve-se quem puder! é bom bancar a louca de vez em quando.     alivia.  





- preciso criar coragem pra matar o amor, ele tá cansado de ser abrigo de amores perdidos. 






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11.05.2009

thelma e louise

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 'escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.'
Oscar Wilde.

















porres de loucura, tsunamis de cerveja, born to be wild, ultrapassagens alucinantes em estradas, micos cinematográficos, amores mal resolvidos, boemia, portugal e portugueses, momento faixa de gaza, filosofia de buteco, falar da vida alheia, horas de papo no msn, tentativas frustradas de encontrar jesus, planos e mais planos, envelhecer na idade e retroceder na mente, momentos intempestivos, alterações climáticas, abalos cismicos...ao teu lado, tudo isso é motivo pra sorrir, e até minhas tragédias gregas conseguem ser divertidas quando você tá perto, e você tem estado comigo sempre né? por isso, eu diria que você é minha melhor pessoa, e que é bom olhar pro futuro e te ver lá. então sem mais rodeios, e sem palavras bonitas de dicionário, eu te amo
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e por favor, não chore, óquei?

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fica a dica: Thelma e Louise. filme pra ver com a sua melhor pessoa comendo pipoca com coca-cola. 


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11.03.2009

eu e meus comigos de mim mesma


I know where beauty lives.
I've seen it once
I know the one she gives.
The light that you could never see.
It shines inside you can't take that from me.
Madonna.





contradições. paixões conflitantes. suspiros. sem 'inhos'. olhos amedoados. unhas vermelhas. glam. cl
ose. fotografias amareladas. poemas. bilhetes com garranchos. travessuras. doces. cinema. cores. nuances. matizes. entonações. contrastes. vogue. rock. blues. samba. led zeppelin. lovage. madonna. janis. dylan. lennon. paul. nina. faith. chico. marisa. rita. gal. beth. hermanos. amigos. cigarros. cervejas. vinhos. livros. noite. lua. insônia. céu. inferno. tique-tac tique-tac. vermelho escarlate. pulsação. riso de canto-de-boca. ironia. acidez. petulância. alegria. exagero. drama. euforia. pavio curto. intensidade. boca. perna. tatuagem. cheiro. pistache. desejo. suor. tesão. saudade. indagações. perversões. palavrões. maldições. muito. tudo. hoje. agora. logo. sim. não. sim. não. dúvidas. minicertezas. lágrimas. sorriso completo. eu e meus comigos de mim mesma, muito prazer.








 


This world is not so kind
People trap your mind



It's so hard to find
Someone to admire
I sleep much better at night
I feel closer to the light
Now I'm gonna try
To improve my life
Nobody Knows me
Madonna














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como uma flor


I cheated myself

Like I knew I would
I told you I was trouble
You know that I'm no good
Amy




tu me chamou de flor. 

e eu avisei que minhas pétalas iam cair, e quando pétalas caem, só sobram espinhos, e os espinhos são pura maldade das flores.


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11.01.2009

no compasso da solidão

- olho pro céu, e sol continua lá, e eu aqui, pra lá e pra cá, aqui, ali, em qualquer lugar












é a noite quando ela mais se sente sozinha. a solidão é tanta que quando ela fala ela escuta o eco da sua própria voz. ultimamente sua única companhia tem sido o cigarro, o café, o retrato do moço, a música e a saudade. e de vez sempre a amiga blues, sua fiel escudeira na desilusão. mas ela pouco se angustia, porque ela sabe que a vida é clichê e o mundo gira, e talvez o ápice da solidão seja um prenúncio de que algo bom está prestes a acontecer.



I got my tongue, I got my chin
I got my neck, I got my boobs
I got my heart, I got my soul
I got my back, I got my sex
I've got life, I've got my freedom
I've got the life
Nina Simone.

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10.31.2009

recado

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tesão, atração, paixão, sexo, amor, loucura, desejo, seja lá o que for. é.
'i want you so bad'






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a menina dança

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acordei hoje um acorde perfeito, maior ou menor, não sei, não entendo de música, noutras palavras, meu coração acordou dançando pra não ver o dia passar com toda a sua solidão. então vim aqui soar as silabas dessa minha dança solitária. alguém me concede uma dança?






- no mp4. Look at me ininterruptamente.

10.30.2009

amor de rugas e chicobuarquices

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outro dia, numa festa na casa de um amigo, tive a felicidade de conhecer um 'jovem casal' . ele tinha 81 anos, ela 79. os observando revi minhas convicções acerca do amor. melhor dizendo, amor na terceira idade. eles me disseram que já haviam pagado seus tributos, criaram filhos 11 filhos, e 20 e poucos netos. e agora eles estavam se presenteando com a vida - sim, com a vida. contaram histórias felizes e tristes, e citaram chico buarque várias vezes na conversa, o que me deixou deveras encantada. enquanto eles falavam, eu ficava lá, parada, ouvindo, e imaginando como será amar alguém por mais de cinquenta anos. cinquenta anos de compreensão, dedicação, sensatez. pensei em quantas vezes em todas essas décadas, eles não tiveram vontade de um deixar o outro. talvez não, talvez sim. o que sei é que eles não tinham vergonha dos nossos olhares tolos e imaturos. eles se abraçavam e se beijavam como adolescentes, ou melhor, envelhecentes, ah, era muito lindo de ser ver. eles é que sorriam de nós, por ver no que transformamos o amor - em algo banal, que nasce, cresce e morre, mesmo antes de amadurecer. nós cometemos o crime de barganhar os nossos próprios sentimentos. vendemos nossa alma ao diabo por um pouco de satisfação ao ego, e curamos nossas almas desesperadas por amor, com sexo, e envolvimentos baratos. é triste.


e depois de longas horas de sabedoria compartilhada, eles me deram um conselho:
'primeiro as pedras grandes, depois as pequenas'
e pra bom entendedor, meias palavras bastam.




e num rompante pueril, levantaram, e foram dançar ao som de Carlos Gardel, com o charme, que só os mais antigos tem. e eu? eu fiquei sonhando acordada com meu amor de rugas.





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10.29.2009

encontros e desencontros II

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era oito da manhã quando ele acordou. olhou pro lado, e não a viu. levantou-se, e só percebeu silêncio, e dela só havia o cheiro. viu de longe um papel, e no mesmo instante que viu que era um bilhete seu coração disparou. pegou a fotografia e o bilhete escrito em linhas tortas, suas mãos tremiam, sentou-se, e começou a ler. seus olhos não piscavam e ardiam. sentiu um nó na garganta, achava aquilo tudo um absurdo. ele tentava acreditar que era apenas uma piada, e que ela tinha ido apenas comprar café, ou cigarros, ou algo assim. mas a cada palavra que ele lia, ele sentia o nó se desatando em lágrimas. acendeu um cigarro, e confuso, leu novamente o bilhete, deixou cair no chão a fotografia, sentiu um gosto salgado na boca, era um gosto de lágrima que ainda não desceu. caminhou até a varanda, e viu que ela havia deixado a fivela em formato de cereja, que deixou cair do cabelo, enquanto faziam amor. ele ficou um tempo sentado na cadeira preguiçosa da varanda, absorto, segurando numa mão a fivela, e noutra mão um cigarro.

foram muitos cigarros, e muitos cafés aquela manhã, tanto que seu estômago doía. nunca tinha se sentido assim, vazio, incompleto, confuso, sem saber o que fazer. não sabia onde procurá-la, em que lugar ir, não podia recorrer a lista telefônica, afinal, a conheceu no meio da rua, onde ele a encontraria? ele tinha tanta coisa a dizer, tantos planos e tantos beijos guardados pra ela. se culpou por não ter acordado antes, se chamou de estúpido, e caminhava freneticamente de um lado pro outro. chegou a pensar no clichê 'o tempo cura tudo', mas ele não queria ser curado, ele não queria esquecê-la, ele queria uma possibilidade, um meio de encontrá-la. daria qualquer coisa pra ver de novos as maçãs rosadas do rosto dela. faria qualquer coisa pra ouvir de novo a voz rouca dela chamando 'baby' que o fez se apaixonar quase que instantaneamente. enquanto ele pensava numa maneira, ele revivia na cabeça todas as cenas que eles passaram juntos, e quase pôde sentir o cheiro dela. não sabia se chorava ou se sorria, mas prometeu a si mesmo que alguma coisa faria pra encontrá-la novamente. passaram-se dias, semanas, e ele sempre andava pelos mesmos lugares na esperança de reencontrá-la. por vezes, ele sentia a sensação de que ela estava por perto, mas sempre voltava pra casa mais solitário e vazio. ele acordava e olhava pro sol, e se perguntava porque o sol ainda brilhava pra ele, se ele tinha perdido no dia que encontrou seu novo motivo pra sorrir. ele comia maçãs pra sentir o gosto doce dos beijos da  sua menina que foi embora. ele nunca havia comido tantas maçãs na vida! cravava seus dentes nas maçãs vermelhas, e ouvia o som da risada dela.  parecia um bobo, um idiota. um certo dia, caminhando numa dessas avenidas movimentadas ele achou que tivesse a visto, talvez fosse ela, ele não sabia, ele correu, acenou com a mão, mas a perdeu de vista. ele chegou a sorrir de si mesmo, por não saber o que acontecia dentro dele pra agir assim, como um louco, ele mal a conhecia! ficou pensando nessa maluquice toda voltando pra casa, então passou na frente de um buteco e sentiu vontade de beber e maldizer a droga do amor, entrou no bar e sentou-se no balcão, pediu uma cerveja, e tomou num folêgo só, pediu outra, e acendeu um cigarro, pensou em como os românticos são escravos de suas paixões, e sentiu vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços com todos, mas o que ele queria mesmo, era gritar o nome dela bem alto, de modo que ela escutasse, mas como? se ele não sabia o nome dela? ele se sentia uma metade perdida, e não conseguia explicar a si mesmo como a memória de apenas um dia perfeito, poderia machucar tanto um coração que já estava cansado de amar errado. pediu mais uma cerveja, e mais outra, e mais outra. ele se sentia exausto de construir e demolir fantasias. ele tentava enfiar na cabeça que era natural as pessoas se encontrarem e se perderem, e enquanto mais tentava, mais queria encontrá-la. já estava bêbado, e foi cambaleando pra casa. mal entrou porta adentro já foi logo se jogando na cama, sem entender mais nada de suas emoções. dormiu. quando acordou, com fortes dores de cabeça, num extremo momento de lucidez, decidiu que seria o último dia que a procuraria por todas aquelas ruas cinzentas em que ele a procurava quase todos os dias. vestiu a mesma roupa que estava quando a conheceu, e saiu com o coração em brasa, levando no bolso a fotografia que ela havia deixado, um maço de cigarros, e sua última esperança. pela milésima vez, sentou no mesmo café e na mesma mesa em que ela tirou a primeira fotografia deles, tudo na expectativa de vê-la entrando pela porta, com suas duas lindas maçãs no rosto e um sorriso que iluminava qualquer canto triste. esperou, esperou, tomou um café, dois cafés, e já doía por dentro aquela despedida solitária. o sol já estava indo embora, quando ele pediu um papel e uma caneta a garçonete. e na vã esperança dos que amam sem entender porque, escreveu:



-


' nunca entendi porque você foi embora daquela maneira. todos os dias até hoje te procurei. um dia achei ter te visto, mas me senti ridiculo tentando chamar um nome que não sabia. a verdade é que não sei mais de mim sem ti. é que tudo de ti ficou em mim. eu amei aquela manchinha que você tem entre um seio e outro, e amei também seu jeito desajeitado de fazer um rabo-de-cavalo que ficava torto. amei sua paixão pela primavera e seu jeito humano e engraçado de falar da vida. amei seus suspiros e seus gemidos. amei o muito ou pouco que conheci de ti. você acha que não, mas eu teria amado você e seus defeitos. porque você não é perfeita, e eu te amaria em todas as suas imperfeições. até no seu pior dia. sim, eu te amaria. não sei como cheguei até aqui, e talvez você nem pense mais em mim, mas até o dia de hoje, eu te desejei. e se um dia você chegar a ler esse bilhete, saiba que mesmo sem querer e sem saber, você foi amada, e se não for tarde, e não tiver passado muito tempo, me procura, e a gente recomeça de onde parou.


um beijo na maçã direita do seu rosto, Dylan.'
-


então chamou a garçonete, e pediu-lhe um imenso favor. mostrou a foto dos dois, e insistiu que ela ficasse com o bilhete a fotografia, e pediu que ela entregasse, caso ela aparecesse. pra surpresa dele, a garçonete a reconheceu, e disse-lhe que ela de vez em quando aparecia por lá, e ficava horas e horas, como se esperasse alguém, e na última vez ela havia esquecido uma chave, e provavelmente ela voltaria pra buscar, só não sabia quando. ele sorriu, como há tempos não sorria. e saiu do café, sentindo-se livre do peso de toda a incerteza que ele carregava no peito.






Por entre flores e estrelas
Voce usa uma delas
Como um brinco pendurado na orelha(...)
Belezas são coisas acesas por dentro
Tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento
Lágrimas negras saem, caem, dói
Lágrimas negras saem, caem, dói
Otto










[continua...]





10.28.2009

encontros e desencontros

-

ela caminhava pelas ruas usando um vestido de algodão, que o vento teimava em levantar. caminhava a bordo de
seu largo sorriso, fotografando tudo e todos que encantavam seu olhar. fotografou de longe o casal de velhinhos sentados num café de esquina ao ar livre. fotografou um taxista de visual chic que abria a porta pra moça bonita entrar. se encantou com um grupo de amigos que tomava sorvete e sorria. fotografou o vento, o céu, o chão. ela tinha paixão pelas imagens, pelos momentos que ficavam guardados, e pelas lembranças que as fotografias traziam. e enquanto ela tentava enquadrar um desses momentos ele surge do nada, e ela se atrapalha toda, coitada. ele nem era tão belo, não era nem alto nem baixo, tinha cabelos cacheados e escuros, tinha uns olhos castanhos amendoados, vestia uma camiseta do Bob Dylan, jeans, tenis, e fumava um cigarro forte. mas mesmo sendo assim tão simples, ele desencandeou nela uma mistura de calor, frio, palpitação, tremor, arrepio, e quase a fez desmaiar. ela o fotografou de longe, e ele viu e sorriu, ela ficou subitamente ruborizada, mas sorriu de volta. ele se aproximou, e ela com seus gestos espontâneos agiu feito criança. ele se encantou com seus sorrisos constantes e sentiu vontade de comer as maçãs do rosto dela, de tão rosadas que ficavam. eles caminharam juntos, e conversaram sobre a vida. combinaram de não falar seus nomes. ele a chamaria de maçã e ela o chamaria de dylan, por causa da camiseta. tomaram café e falaram sobre música. ela contou das suas manias de colecionar discos, e ele contou que adorava gibis de super-heróis. eles sorriram de tanta bobagem. ela fotografou cada risada e cada gesto. contou a ele que gostava de sorvete de flocos com batata frita, e ele achou estranho, mas também achou encantador uma garota assumir todas as suas fragilidades assim, sem medo. falaram de suas comidas preferidas e até de temperos, e os dois amavam manjericão, vejam só que tolice. conversaram sobre solidão e tomaram mais café. ele acendeu dois cigarros - uma pra ele outro pra ela - sentaram num banco de praça e fumaram. já era noite, e eles nem viram o tempo passar. ele, com aquele ar de bom moço com um 'quê' de mistério, a convidou pra ir a casa dele. ela até quis dizer não, mas seu corpo e seu coração só diziam sim, e ela foi. quando chegaram, ele a levou pra varanda, e como que num impulso eles se olharam e se beijaram por quase 2 minutos. depois se olharam e sentiram seus corpos esquentarem, e ali mesmo, entre almofadas, e flores, fizeram amor devagar e com extrema ternura. o cenário era perfeito, e ele quase perfeito. no depois, ele a beijou, e levantou-se, depois de uns poucos minutos voltou com suco de morango e alguns gibis, deitou-se ao lado dela e os dois leram e sorriram juntos. falaram de filmes interessantes e personagens emocionantes. ele fez planos, e disse que a queria assim, todos os dias. se descobriam cada vez mais um no outro a cada segundo. e tudo que parecia mero acaso, se tornava cada vez mais um obra dos anjos. ele cantou desafinado uma canção de chico, enquanto ela fazia travessuras com as mãos pelo corpo dele.  de repente uma chuva passageira começou e interrompeu aquele cenário quase-filme. levantaram-se depressa e ele a levou pro quarto. e numa brincadeira de amantes, se beijaram com exigência e força, bem diferente dos primeiros beijos. ele murmurou doces obcenidades e ela entrou no jogo, e desta vez treparam. no depois, ficaram alguns minutos exaustos na cama, imóveis, satisfeitos. então se abraçaram e ele disse num sussurro 'engraçado, sinto-me tão inteiro'. e ela pensou consigo mesma 'eu vou sentir sua falta'. então dormiram. logo cedinho, ela acordou antes dele, foi até a sala, rasgou uma página de uma agenda velha e escreveu um bilhete, que mais parecia uma carta:


'Dylan,

confesso que esse foi o melhor dia da minha vida, foi como se tivesse sido um sonho, e eu o vivi. eu não sei se encontrarei outra pessoa no mundo com um cheiro como o teu. nem parecido, eu sei disso. você é único. e pra ser franca, isso tudo me assusta. é, eu tenho medo. eu não quero te perder, então te deixo antes que você me conheça de verdade. não quero se canse de mim. não quero sentir ciúmes de você, porque eu me conheço, eu sentiria muito. e você me veria como eu sou. ciumenta e insegura. um tanto indecisa e cheia de medos. quando julgo estar certa sou arrogante, falo demais e brigo. e não quero que algo tão bom assim, se transforme na rotina do dia-a-dia. foi o acaso me levou a você, e por mero descaso eu fujo dele. teu nome ainda é secreto, o que foi melhor pra mim, pois só assim não vou te procurar e querer morrer por não te encontrar. você foi a brincadeira mais séria que me aconteceu, e nunca vou esquecer que seus olhos quase fecham quando você sorri, e nas suas buchechas formam as covinhas m
ais lindas que eu já vi. vou guardar sempre a lembrança de cada minuto que passamos juntos, e que o tempo fez passar devagar conspirando ao nosso favor. ah, o teu suco de morango foi o melhor que já tomei, e desculpa ter derramado ele em você, são esses desastres que com o tempo iam acabar te irritando, e minha mania deixar coisas espalhadas pela casa também. é que tenho muitos defeitos, e no começo sei que você ia amar, mas depois seriam detalhes irritantes, eu sei disso, é sempre assim. e por isso quero que sejamos esse dia perfeito, pra sempre. quero que guarde na sua memória todas as imagens do nosso melhor e único dia. sei que posso estar sendo egoísta, mas quero te pedir um favor: você poderia me guardar como sua melhor saudade? é só isso que quero ser pra você, porque é isso que você sempre será pra mim, a saudade que eu sempre vou gostar de ter...


...vou carregar você comigo,  vou carregar no meu coração'




e em passos leves, ela foi até o quarto, o olhou com com saudade antecipada, colocou no criado mudo da cama o bilhete junto com uma foto deles dois, e foi embora...e ele continuou dormindo, talvez sonhando com o café que ia fazer pra dois...


[continua...]






'tenho do medo do medo que dá
medo de perder a rédea
medo de ficar de sem rumo
o medo é uma casa onde ninguém vai
o medo é um laço que se aperta em nós'

10.27.2009

one more cup of coffee

One more cup of coffee for the road.
One more cup of coffee for I go
Bob Dylan







ela acordou de um sonho, literalmente. sonhou que era groupie de alguma banda de rock , algo assim. ela não lembrou bem do sonho, mas ele a fez pensar na vida. ela não gosta de reclamar, ela gosta do que faz, tem amigos suficientes pra lhe fazerem feliz, tem um gato chamado Dylan, mora sozinha num apartamento com paredes cheias de pseudo-quadros de filmes que ela ama, tem um carro que vive dando o prego, mas ela não consegue se desfazer dele, porque foi seu avô que deu, e tem um valor sentimental gigante. ela tem a discografia em vinil da madonna, do led, dos beatles e foi a show da diva com seus amigos gays lindos que a acham linda, e a fazem sentir a mulher mais incrivel do mundo, ainda que ela não seja. e de pouco em pouco, ela tem muitas razões pra acordar e sorrir pro sol.

honestamente, só lhe falta mesmo na vida um amor de cinema, meio blues, com aquele charme meio chico-buarque, alguns quilos a menos, e uma máquina de café expresso, e money, very money.

quando ela acordou do sonho, ela tomou seu café coado, pensando no quanto ela sempre foi sonhadora. lembrou que quando menina achava que o céu era perto. é que ela sempre colecionou amores platônicos por rockstar's. o primeiro poster na porta do seu guarda-roupa foi o do seu maior amor de todos: Lennon. ela colecionava tudo dos reis do iê-iê-iê, mas aí ela ficou dividida entre John e Paul, e resolveu continuar apenas como fã dos Beatles, nunca iria dar certo mesmo. então veio o amor súbito por Robert Plant, e era com ele que ela queria passar o resto dos seus dias. mas ela só tinha 15 anos, e muitos amores vieram depois dele. logo depois ela se apaixonou pelo Mike Patton, e imaginava cenas tórridas de amor com ele, até que um dia ela o esqueceu, pois se apaixonou por um garoto de verdade. ela passou da fase de se vestir como uma hippie do séc.21, e parou de sonhar com os rockstar's. a vida real chegou, e ela se tornou uma viciada em café, sexo, cigarros, e se tornou cybercompulsiva, daquelas que não vive sem um computador. não sai de casa sem sua máquina fotográfica e nem sem o mp4, porque mesmo sabendo que nunca teve chances com o Plant, nem com o Mike Patton, e nem com o
John, ela os escuta todos os dias, imaginando que pelo menos uma das canções poderia ser pra ela. ah, ela ainda sonha né? lá no fundo, ela ainda acha que nasceu na época errada. ela[parafraseando uma canção de zeca baleiro]costuma dizer que ela é do tempo em que as atrizes tinham alma, do tempo em que jornal de domingo se lia no domingo, do tempo em que até os canalhas choravam, do tempo que os homens mandavam flores e abriam a porta do carro, do tempo que os bandidos eram gangsters elegantes, e ladrões eram charmosos, do tempo que love love love era uma mensagem de amor dos Beatles, e que groupies eram garotas blues, apaixonadas por rock. e depois de grande, ela fez uma grande amiga, que também sonhava com rockstar's, e ela ficou feliz por saber que não era a única.




e é assim que ela lembra de si mesma.


- Ei, doutor, o que há de errado
Em gostar de escutar os meus discos dos beatles?!?
Não vejo nenhum problema nisso.
- Bem, garota, não é um mistério,
Seu distúrbio é um caso sério e esquisito.
Receito tratamento imediato.
Na,na,na,na,na,na,na,na...
Faichecleres








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