6.08.2010

tarde da noite

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naquela manhã, ela recebeu um bilhete interessante. nele tinha escrito apenas o diálogo de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, na cena final do filme Casablanca. no fim dia, já tarde, pensando no bilhete que recebera mais cedo, ela ligou o som, e colocou no repeat The Smiths - I'm so sorry. sentou na janela, sentiu cheiro de chuva antes de cair, e ficou ali, em absoluto silêncio, cheia de desejos perdidos no tempo, imersa em sonhos naufragados. pensou em como gostaria de ser linda como Ingrid. pensou em como seria bom fazer amor na chuva de um filme preto e branco. pensou na eterna saudade que ela sempre sente de tudo. pensou na poesia do amor não correspondido. pensou em botão de flor se abrindo. pensou num céu azul turqueza borrifado de algodão doce. pensou em paredes verde-limão e em quadros de pop art. molhou os dedos na chuva que estava caindo.  sentiu a urgente vontade de beijar. lembrou de como é gostoso fazer amor no carro, até deixar o vidro embaçado. sorriu de si mesma por estar pensando obcenidades, fumou um cigarro, ou mais. pensou em pintar as unhas de azul, ou pink ou vermelho. desceu da janela, cantarolou a canção andando até o banheiro, escovou os dentes se olhando no espelho. se achou mais velha e mais frágil. deitou-se na cama e adormeceu pensando num chão de estrelas e num céu de flores. seu coração estava amanhecendo, naquela hora da noite. 


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6.06.2010

depois do amor,

os diálogos mais piegas.



ELE:  - tem verso nos teus olhos de jaboticaba.
ELA:  - e nos teus tem um monte de borboletas voando num céu de manhã azul.

6.02.2010

me arde

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meu corpo arde feito pimenta malagueta em pó, desde aquele dia que teu beijo de boca movediça sugou da minha alma a mesmice dos meus dias soltários.

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