8.28.2010

mon petit

é engraçado como o tempo cura mesmo a dor. é um ditado piegas, clichê, demodê, mas que ele cura, isso ninguém pode negar. 

há alguns anos, eu, inconsolável, lembro bem de ter dito - haja tempo pra curar essa dor. dor de perder alguém que mal chegou e se foi sem nem saber dizer adeus. porém o tempo, mano velho, fez sua parte. fez com que a dor passasse, e hoje só tenho de ti uma boa lembrança, que vez ou outra me faz imaginar como seria minha vida contigo aqui. hoje no almoço a vovó lembrou que tu já teria quatro anos se tivesse aqui, e pode ter certeza, aqui tinha muita coisa boa pra você. tinha eu, a vovó, o vovô, vários tios e tias te amando com todo  o coração. todos iriam fazer suas vontades, especialmente a vovó, ela iria te mostrar um mundo bom e cheio de cores. o vovô tentaria ser legal, e acho que leria fernando sabino pra você. também brincaria de mágica e faria coisas que  só os avôs fazem. já seus tios e tias, te ensinariam a falar a palavrão e a fazer gestos obcenos, só pra me irritar. e seu pai? não sei. ele sempre teve uma existência vazia e não tinha muito rumo na vida. mas eu meu amor, iria ser tua luz. iria te ensinar que o mundo é caótico, mas é bom. iria te mostrar a chuva e o pôr do sol,  e ajudaria a encher teu baú de tesouros.  te ensinaria a gostar do led, dos beatles e dos stones, e dançaríamos de mãos dadas todos os dias. brincaríamos de bolha de sabão, comeríamos algodão doce, e procuraríamos desenhos nas nuvens. e antes de dormir, eu sempre te abraçaria, e cantaria chico, até você cair no sono. eu ia cuidar de ti, meu pequenino, eu juro. nós seríamos amigos e tu me contaria das brincadeiras da escola. iriamos juntos ao cinema ver seus filmes favoritos, e na tua frente eu nunca teria medo. eu te protegeria de tudo que fosse ruim, eu juro. eu tentaria ser boa, ser justa, mas meu esforço maior seria pra te ver sorrir. eu seria teu par, e riríamos para o céu andando de roda gigante. eu te amaria muito, com muita força. pena que a vida nem sempre é boa com a gente, e infelizmente meu pequeno, nada disso vai acontecer. há quatro anos um vento forte soprou, e num encantamento te fez anjo. nem pude ouvir teu cantar, nem sentir teu pulsar, nem te ver brilhar. tu não teve tempo pra sentir todo o amor que tinha aqui, pra ti. era tanto amor petit, tanto amor. nunca tinha visto tanto amor guardado pra se dar a uma pessoinha só. e eu sei que tu sentia,  sempre que mexia aqui dentro. mas não precisava pressa, meu pequeno, não precisava, todo esse amor te esperava. foi na tua pressa de chegar, que eu te perdi.  confesso que nunca senti tanto medo na vida, como na primeira vez que te vi. tu nasceu tão mignon, tão indefeso! tive tanto medo por ti, e por mim! tua vida parecia tão frágil, e era né? teu choro era tão baixo, que mais pareciam gemidinhos. eu não pude te beijar e te abraçar forte, porque tu era tão pequenininho, e tivemos tão pouco tempo! quando tu me deixou, meu amor transbordou em lágrimas e em dor, e de tanto chorar, encolhida na cama, eu adormecia, e quando acordava, não acreditava que meu mundo contigo, tinha virado um sonho que nunca ia ser vivido. só aos poucos foi que meu coração se acostumou a bater sozinho, encontrando em outras coisas razão pra viver, e assim, bem devagarinho, fui colhendo meus versos tristes. e  hoje, depois de quatro anos, esta é a primeira vez, que escrevo pra ti.  desculpa a demora meu anjinho, não foi porque te esqueci, mas é que só agora, posso falar do amor que eu tinha pra te dar, e não sentir no coração, lâminas me fazendo sangrar. porque o tempo, mano velho, me ajudou  a não sentir mais dor, e agora posso dizer em voz alta - gostaria de te ter aqui, meu pequeno, meu bebê, meu amor.

29 comentários:

  1. Me doeu ler... Muito...
    E fez minha dor ser pequena.. pq nenhuma dor, mesmo que camuflada pelo tempo, pode ser maior do que perder um filho.

    Fica bem...

    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Luna, sem palavras!
    Emoção mesmo!

    Bjos

    ResponderExcluir
  3. Luna quase não consegui chegar ao final, por causa ds lágrimas que corriam pelos meus olhos. Ainda bem que o tempo ajuda, sempre. E ele sabe do seu amor.

    beijos, mon amie, mon cherrie!

    ResponderExcluir
  4. e cá estou, procurando por palavras que sei que não irei encontrar ... '-'
    amor é algo tão bom, que você consiga demonstrar esse amor por outro :)'

    beijas, Lu :*

    ResponderExcluir
  5. Ain, eu chorei.
    Você seria uma ótima mãe.
    E se um dia eu tiver um pequenino, gostaria de ser assim, igual a ti. Gostaria de poder fazer tudo que você planejou.

    Abraço meu. Abraço-te com força.

    ResponderExcluir
  6. Com toda certeza, esses foi um dos textos mais lindos, doces e sinceros que já li na vida. Daqueles que você sente a emoção na alma e um turbilhão de lágrimas inundando os olhos.

    Menina... seu pequeno ia ter tanto amor e uma vida tão bela para receber. Mas sei que de alguma maneira ele sentiu o seu amor e o retribuiu :)

    Beijos!! E obrigada pela solidariedade com a minha reforma kkk

    ResponderExcluir
  7. É por isso que digo... O tempo é o melhor amigo do sofrimento.
    Beijos :*

    ResponderExcluir
  8. tive que respirar fundo antes de comentar...

    pura compaixão em forma de palavras.

    não vou me cansar de dizer que adoro ler vc.

    ResponderExcluir
  9. Escreve muito bem, bastante emocionante.

    ResponderExcluir
  10. Deveria ser crime um filho morrer antes da mãe/pai. Deve ser uma dor inconsolável. =/

    ResponderExcluir
  11. Palavras fortes demais para um comentário; ao mesmo tempo há tanta beleza e sentimento nelas. Uma beleza melancólica, por certo. Mas como não poderia ser? A natureza da situação talvez o peça. É a primeira vez que venho aqui. E si a ti te gusta mi blog, a mi me encanta este aca.

    ResponderExcluir
  12. Nem sei bem o que dizer...
    É uma das coisas mais lindas que já li.
    É triste sim, todos nós aqui, eu acho, derramamos lágrimas ao ler.
    Mas ao mesmo tempo é bonito saber que um serzinho veio, mesmo que por tão pouco tempo, pra te mostrar que um amor assim é possível.
    Ainda não sou mãe. Mas sou tia/madrinha de um que é minha paixão. Sou irmã de um outro (5 anos mais velho) q é autista, e é minha razão.
    Não se compara. Sei bem disso.
    Amor de mãe não há nenhum no mundo parecido.
    Por isso é tão especial.
    Por isso VOCÊ é tão especial.

    Que bom que hoje você consegue falar disso sem tanta dor. O tempo é mesmo um "amigo"... Ele pode não sumir com nossas feridas, mas ao menos cicatriza.

    E tenho certeza que o seu pequeno entende o porque de você não ter "dito" nada antes... Até mesmo pq, o silêncio muitas vezes diz muito mais, não é?

    Um abraço forte...
    BeijO grande.

    ResponderExcluir
  13. É o texto mais emocionante que já li esse mês em qualquer plataforma. Onde tua criança estiver, por certo, tem orgulho de ti.

    Não consigo dizer nada além disso.

    Bjs!

    ResponderExcluir
  14. Que lindo, tocante realmente, vc tem o dom para escrever, leve e intenso, adoro sempre, fiquei emocionado! Bjao linda!

    ResponderExcluir
  15. um abraço pra ti, porque não acho que tenha o que dizer, fica bem. :*

    ResponderExcluir
  16. Um comentário em silêncio pela tua perda.





    E um dia a saudade vira bonita. Eu sabia!
    Tô esperando o meu dia chegar.

    Beijos, Luna-linda. :*

    ResponderExcluir
  17. Belo, incrivelmente belo, e tão triste.
    Triste beleza nesses versos, linda dança de palavras.
    ;)
    bjoo Luna

    ResponderExcluir
  18. Uau...
    O que dizer?
    Debulhei todas as letrinhas..e só tenho que dizer: Está atrasada? Não se preocupe, o seu tempo é outro mesmo.

    ResponderExcluir
  19. bacanissimo o blog, señorita... ainda n o conhecia... parabéns..

    *anota aí mais um seguidor..

    abraço grande.

    ResponderExcluir
  20. nenhuma dor é pra sempre,com certeza o tempo cura a dor!
    lindo post!

    ResponderExcluir
  21. um avô meu diria: "bonito e triste."

    ao ler eu quis que você lesse um trecho de um livro do Gibram em que ele diz dos filhos.

    o amor ignora espaço e tempo.

    ResponderExcluir
  22. O Profeta de Gibram Khalil...
    vale à pena, acho que ele tenha algo a dizer sempre.

    beijo.

    ResponderExcluir
  23. Seu post me fez chorar, mesmo que um pouquinho. Fiquei emocionada, arrepiada... Bonito e triste, como algumas coisas são.

    Se for ficção (o que eu, no fundo, queria que fosse, porque a dor de perder um filho deve ser profunda demais para ser esquecida), você realmente tem o dom das palavras. Se for verdade, por mais que eu não te conheça, eu sinto muito por você. E creio que ele está muito feliz, onde quer que ele esteja!

    Um abraço... Apertado :)

    ResponderExcluir
  24. Passei pra te dar oi, hoje não to bem, então leio o post depois, mais que o tempo cura a dor, é verdade mesmo! Boa semana!!!

    ResponderExcluir
  25. vc será uma excelente mãe. e a sua criança herdará o seu talento pra felicidade. não tenha pressa, ele voltará mais bonito e mais forte, pra ficar.

    ResponderExcluir
  26. Obrigada Luna linda, meu marido tbém é psicotico com limpeza, e sempre briga comigo por isso... eu já aprendi a deixar sempre meu sapatos no sapateiro, mas tem coisas que eu não consigo fazer, nao é que eu queira é como se uma parte do meu cérebro não funcionasse nessa hora sabe... ontem cheguei em casa com carona da policia, olha o nivel, não pqe teve brigas, mais pqe me perdi na rua largada por ele.

    ResponderExcluir
  27. Ele está num lugar melhor... fique tranquila.

    ResponderExcluir
  28. Que texto maravilhoso. meu deus, que triste isso. Mas o tempo cura... ://

    ResponderExcluir

- me concede uma dança?

Baila Comigo está protegido por uma Licença Creative Commons. Credite.

Licença Creative Commons