One more cup of coffee for the road.
One more cup of coffee for I go
Bob Dylan
ela acordou de um sonho, literalmente. sonhou que era groupie de alguma banda de rock , algo assim. ela não lembrou bem do sonho, mas ele a fez pensar na vida. ela não gosta de reclamar, ela gosta do que faz, tem amigos suficientes pra lhe fazerem feliz, tem um gato chamado Dylan, mora sozinha num apartamento com paredes cheias de pseudo-quadros de filmes que ela ama, tem um carro que vive dando o prego, mas ela não consegue se desfazer dele, porque foi seu avô que deu, e tem um valor sentimental gigante. ela tem a discografia em vinil da madonna, do led, dos beatles e foi a show da diva com seus amigos gays lindos que a acham linda, e a fazem sentir a mulher mais incrivel do mundo, ainda que ela não seja. e de pouco em pouco, ela tem muitas razões pra acordar e sorrir pro sol.
honestamente, só lhe falta mesmo na vida um amor de cinema, meio blues, com aquele charme meio chico-buarque, alguns quilos a menos, e uma máquina de café expresso, e money, very money.
quando ela acordou do sonho, ela tomou seu café coado, pensando no quanto ela sempre foi sonhadora. lembrou que quando menina achava que o céu era perto. é que ela sempre colecionou amores platônicos por rockstar's. o primeiro poster na porta do seu guarda-roupa foi o do seu maior amor de todos: Lennon. ela colecionava tudo dos reis do iê-iê-iê, mas aí ela ficou dividida entre John e Paul, e resolveu continuar apenas como fã dos Beatles, nunca iria dar certo mesmo. então veio o amor súbito por Robert Plant, e era com ele que ela queria passar o resto dos seus dias. mas ela só tinha 15 anos, e muitos amores vieram depois dele. logo depois ela se apaixonou pelo Mike Patton, e imaginava cenas tórridas de amor com ele, até que um dia ela o esqueceu, pois se apaixonou por um garoto de verdade. ela passou da fase de se vestir como uma hippie do séc.21, e parou de sonhar com os rockstar's. a vida real chegou, e ela se tornou uma viciada em café, sexo, cigarros, e se tornou cybercompulsiva, daquelas que não vive sem um computador. não sai de casa sem sua máquina fotográfica e nem sem o mp4, porque mesmo sabendo que nunca teve chances com o Plant, nem com o Mike Patton, e nem com o John, ela os escuta todos os dias, imaginando que pelo menos uma das canções poderia ser pra ela. ah, ela ainda sonha né? lá no fundo, ela ainda acha que nasceu na época errada. ela[parafraseando uma canção de zeca baleiro]costuma dizer que ela é do tempo em que as atrizes tinham alma, do tempo em que jornal de domingo se lia no domingo, do tempo em que até os canalhas choravam, do tempo que os homens mandavam flores e abriam a porta do carro, do tempo que os bandidos eram gangsters elegantes, e ladrões eram charmosos, do tempo que love love love era uma mensagem de amor dos Beatles, e que groupies eram garotas blues, apaixonadas por rock. e depois de grande, ela fez uma grande amiga, que também sonhava com rockstar's, e ela ficou feliz por saber que não era a única.
e é assim que ela lembra de si mesma.
- Ei, doutor, o que há de erradoEm gostar de escutar os meus discos dos beatles?!?
Não vejo nenhum problema nisso.
- Bem, garota, não é um mistério,
Seu distúrbio é um caso sério e esquisito.
Receito tratamento imediato.
Na,na,na,na,na,na,na,na...
Faichecleres
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