10.27.2009

one more cup of coffee

One more cup of coffee for the road.
One more cup of coffee for I go
Bob Dylan







ela acordou de um sonho, literalmente. sonhou que era groupie de alguma banda de rock , algo assim. ela não lembrou bem do sonho, mas ele a fez pensar na vida. ela não gosta de reclamar, ela gosta do que faz, tem amigos suficientes pra lhe fazerem feliz, tem um gato chamado Dylan, mora sozinha num apartamento com paredes cheias de pseudo-quadros de filmes que ela ama, tem um carro que vive dando o prego, mas ela não consegue se desfazer dele, porque foi seu avô que deu, e tem um valor sentimental gigante. ela tem a discografia em vinil da madonna, do led, dos beatles e foi a show da diva com seus amigos gays lindos que a acham linda, e a fazem sentir a mulher mais incrivel do mundo, ainda que ela não seja. e de pouco em pouco, ela tem muitas razões pra acordar e sorrir pro sol.

honestamente, só lhe falta mesmo na vida um amor de cinema, meio blues, com aquele charme meio chico-buarque, alguns quilos a menos, e uma máquina de café expresso, e money, very money.

quando ela acordou do sonho, ela tomou seu café coado, pensando no quanto ela sempre foi sonhadora. lembrou que quando menina achava que o céu era perto. é que ela sempre colecionou amores platônicos por rockstar's. o primeiro poster na porta do seu guarda-roupa foi o do seu maior amor de todos: Lennon. ela colecionava tudo dos reis do iê-iê-iê, mas aí ela ficou dividida entre John e Paul, e resolveu continuar apenas como fã dos Beatles, nunca iria dar certo mesmo. então veio o amor súbito por Robert Plant, e era com ele que ela queria passar o resto dos seus dias. mas ela só tinha 15 anos, e muitos amores vieram depois dele. logo depois ela se apaixonou pelo Mike Patton, e imaginava cenas tórridas de amor com ele, até que um dia ela o esqueceu, pois se apaixonou por um garoto de verdade. ela passou da fase de se vestir como uma hippie do séc.21, e parou de sonhar com os rockstar's. a vida real chegou, e ela se tornou uma viciada em café, sexo, cigarros, e se tornou cybercompulsiva, daquelas que não vive sem um computador. não sai de casa sem sua máquina fotográfica e nem sem o mp4, porque mesmo sabendo que nunca teve chances com o Plant, nem com o Mike Patton, e nem com o
John, ela os escuta todos os dias, imaginando que pelo menos uma das canções poderia ser pra ela. ah, ela ainda sonha né? lá no fundo, ela ainda acha que nasceu na época errada. ela[parafraseando uma canção de zeca baleiro]costuma dizer que ela é do tempo em que as atrizes tinham alma, do tempo em que jornal de domingo se lia no domingo, do tempo em que até os canalhas choravam, do tempo que os homens mandavam flores e abriam a porta do carro, do tempo que os bandidos eram gangsters elegantes, e ladrões eram charmosos, do tempo que love love love era uma mensagem de amor dos Beatles, e que groupies eram garotas blues, apaixonadas por rock. e depois de grande, ela fez uma grande amiga, que também sonhava com rockstar's, e ela ficou feliz por saber que não era a única.




e é assim que ela lembra de si mesma.


- Ei, doutor, o que há de errado
Em gostar de escutar os meus discos dos beatles?!?
Não vejo nenhum problema nisso.
- Bem, garota, não é um mistério,
Seu distúrbio é um caso sério e esquisito.
Receito tratamento imediato.
Na,na,na,na,na,na,na,na...
Faichecleres








-

10.26.2009

give me love

'My love
Please take hold of my hand
That I might understand you'
George Harrison.




 


ele prometia amor a ela sem hesitar. prometia as estrelas, o céu, o mar, o sol, os anéis de saturno, e as mais lindas canções de George Harrison, enquanto ela sorria por dentro de tantos perjúrios. não que ela não o amasse, mas já haviam lhe prometido tantas vezes todo o amor do mundo, e no entanto machucaram seu coração com cuturnos de arame, que ela já não idealizava mais, e mentiras sinceras ela ouvia e fingia que acreditava. ela se fechava tanto que mal conseguia retribuir o que ele dizia com as mesmas belas palavras, imagine dizer 'eu também te amo'. ele dizia: 'você não vai acreditar mas eu amo apenas você' e ela respondia 'eu não quero seu amor emprestado'. ele elaborava façanhas e tentava provar que seu amor não era fajuto desde o momento em que acordavam até o derradeiro intante em que ela adormecia. ele combinava beijos com palavras, e mesmo enquanto ela dormia ele a beijava, e sempre tomava cuidado pra que ela nunca se queixasse de sua rudeza. algumas vezes ele a tomava bruscamente, puxando-a pelo quadril, de modo que ela ficasse presa ao corpo dele, e a beijava com ardor, e ela gostava disso. gostava tanto que mal sentia forças nas pernas. ele sabia agrada-la. só não sabia como fazer pra que ela se sentisse segura, pra que ela soubesse que ele não era como os outros. ela estava arisca, e não queria mais cair cegamente nos braços de alguém que por ventura, a fizesse sofrer mais na frente. porém, ela esquecia que o amor era um bem frágil, e que ele uma hora se cansaria de não ter de volta o sentimento sincero que oferecia. ela mal sabia, que ele havia prometido a si mesmo que se ela não se desarmasse, ele a deixaria com seus medos, e iria embora. e o tempo foi passando, até que um dia ele decidiu que se ela não o amasse plenamente assim como ele a amava, ele não queria mais. deu a ela um dia inteiro pra rever seu comportamento diante de todo o amor que lhe era oferecido.

passado o dia, ele foi ao encontro dela com o coração permeado de angústia, e pra sua supresa a encontrou sentada no chão da sala, despenteada, com o rosto molhado de lágrimas. e com os olhos que mais pareciam um mar cheios de ondas, ela o encarou, e com a voz meio rouca, apenas disse 'me abraça, por favor, eu só quero que me abrace'.

ele não entendeu e nem fez perguntas, apenas fez o que ela pediu, porque
apesar de tudo a amava incondicionalmente, e ele sabia que mais tarde ela ia ter certeza disso. ele a abraçou e a levou pra cama nos braços. ele nem percebeu, mas foi ali que ela teve certeza que ele era o cara certo, e nessa mesma noite, o cobriu de beijos, e deu a ele, todo o amor que ele sempre mereceu e ela teve medo de demonstrar. a verdade é que ela sempre o amou, o que ela tinha era medo de sofrer, e se entregar por completo...e mais uma vez cair num desses jogos levianos de amor.





Give me love
Give me light
Give me life

Baila Comigo está protegido por uma Licença Creative Commons. Credite.

Licença Creative Commons
Contador de visitas